Trilho do Ouro
Trilho do Ouro

Travessia Trilha do Ouro – Serra da Bocaina

A Travessia Trilha do Ouro, também conhecida como Caminho de Mambucaba, é a travessia mais famosa do Parque Nacional da Serra da Bocaina. É uma das mais bonitas e clássicas do Brasil, reconhecida como Patrimônio Cultural e Mundial pela UNESCO.

A trilha tem aproximadamente 50 km e tem início na portaria do parque, em São José do Barreiro e acaba em Mambucaba, em Angra dos Reis. Em seu caminho, os aventureiros encontram um visual incrível, belas cachoeiras, muita fauna e flora. O caminho da trilha é feito tradicionalmente em 3 dias e 2 noites.

Hoje, vamos trazer um resumo completo sobre a região e sobre essa famosa travessia.

Sobre a Trilha do Ouro

Trilha do Ouro
Trilha do OuroTravessia Trilha do Ouro

A Trilha do Ouro é uma das principais trilhas nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. É um dos caminhos mais buscados por aventureiros e fãs de acampamento e ecoturismo

A região conta com locais marcantes, então por isso, vamos falar um pouco mais sobre cada um eles:

  • Parque Nacional Serra da Bocaina: contando com mais de 100 mil hectares de mata atlântica preservada, o Parque Nacional Serra da Bocaina, além de ser sede da Trilha do Ouro, é um lugar incrível. Com imensas paisagens incríveis para serem vistas durante todo o caminho;
  • Cachoeira do Santo Isidro: é a primeira cachoeira vista por quem segue a Trilha do Ouro. Com uma queda d’água de mais de 50 m e um fundo arenoso, é ótima para quem quer se banhar;
  • Cachoeira das Posses: outro grande destaque da trilha, a Cachoeira das Posses, conta com uma queda de cerca de 40 m;
  • Cachoeira do Veado: a mais distante e famosa cachoeira do parque. A cachoeira conta com 2  grandes quedas d’água de mais de 100 metros cada.
  • Rio Mambucaba o Rio Mambucaba: nasce no alto da Serra da Bocaina, em São José do Barreiro, descendo em direção ao litoral. A sua deságua acontece na divisa entre Paraty e Angra dos Reis, e acompanha a maior parte da trilha.

O clima da região varia bastante, dependendo da época do ano. Então, alterna entre meses quentes e chuvosos, e meses frios e secos, sendo cada uma das estações bem marcantes.

Por ficar em meio a mata atlântica preservada, você encontra muita vegetação e também diversos animais que fazem parte da fauna local. 

Ficha Técnica da Trilha do Ouro

Mapa da Travessia da Trilha do Ouro
Mapa da Travessia da Trilha do OuroMapa do Parque Nacional da Serra da Bocaina

Veja abaixo detalhes técnicos sobre a travessia Trilha do Ouro:

  • Categoria: Travessia (inicia em ponto e acaba em outro diferente)
  • Local de início: São José do Barreiro (São Paulo), na portaria do Parque Nacional Serra da Bocaina;
  • Local de término: Mambucaba, no Distrito de Angra dos Reis (Rio de Janeiro);
  • Duração: 3 dias e 2 noites
  • Extensão: Aproximadamente 47 km;
  • Dificuldade Técnica: Fácil;
  • Dificuldade Física: Moderada;
  • Tipo de Hospedagem: Camping Estruturado (1º dia) e Selvagem (2º e 3º dia);
  • Terreno: Estrada de terra com algumas elevações no primeiro dia, calçamento de pedras, travessia de rios por ponte em alguns trechos (pinguelas);
  • Trilha Sentido – Serra/Litoral: A travessia é feita seguindo a parte alta do parque da Serra, descendo rumo a parte baixa do litoral. A grande parte do percurso está em declive.

Importante: Como visto acima, a trilha não conta com grandes dificuldades técnicas. Mas o preparo físico precisa ser, pelos menos, moderado. Isso porque é preciso disposição e preparo físico para aguentar longas caminhadas, na média de 15 a 20 km por dia.

Além disso, é preciso levar em conta que é preciso levar todo o material extra que estiver levando junto na sua mochila cargueira (comida, barraca e roupas), durante todo o percurso. Dessa forma, iniciantes ou pessoas com pouco preparo físico, terão grandes dificuldades.

História da Trilha do Ouro

Ecoturismo Travessia Trilha do Ouro

Como a Estrada Real, que liga Ouro Preto até o Rio de Janeiro, a Trilha do Ouro foi usada também para facilitar o transporte dos minérios, principalmente o ouro, que deu nome à trilha, durante o período do Brasil Colônia.

Segundo as lendas, o percurso, foi aberto inicialmente pelos índios Guaianazes, e passou a ser utilizado pelos tropeiros e bandeirantes como uma rota alternativa da Estrada Real. No final, acabou sendo bastante usado por contrabandistas de café e minério.

Além das belezas naturais, a trilha é muito famosa pelo trecho de pedras centenárias que formam uma espécie de calçadão em meio à natureza. Por isso, a região foi apelidada de pé-de-moleque.

Roteiros

Para exemplificar o roteiro, vamos mostrar uma travessia feita. Vamos detalhar o que aconteceu em cada dia. Assim, se você realizar a trilha, poderá seguir um cenário parecido:

1 Dia: Cachoeira Santo Isidro e Cachoeira das Posses

No primeiro dia, começamos pela entrada da portaria do parque. Depois disso, seguimos cerca de 2 horas, até chegar na Cachoeira de Santo Isidro. Na cachoeira, fizemos uma parada para banho nas águas e apreciar a natureza.

Cachoeira de Santo Isidro

Seguimos por aproximadamente 8 km até chegar na Cachoeira das Posses, onde também fizemos uma pausa para banho e contemplação. Depois disso, seguimos por mais 10 km até Camping da Barreirinha, onde passamos a noite. Neste 1º dia, o camping foi feito com toda a estrutura ideal, e simplesmente adoramos!

Cachoeira das Posses

Diário do dia

Travessia: 1/3

Sábado: 22/02

Percurso: aproximadamente 20 km

  • Início da travessia;
  • Chegada a portaria do parque;
  • Chegada na Cachoeira do Santo Izidro;
  • Chegada na Cachoeira das Posses;
  • Camping com estrutura.

* O Camping da Barreirinha oferece dormitórios para os trilheiros, então dependo da sua excursão poderá dormir em dos quartos disponíveis, do contrário poderá armar sua barraca de camping.

2 Dia: Cachoeira do Veado

Cachoeira do Veado

Depois de acordar e tomar café, seguimos rumo à Cachoeira do Veado. Nesse ponto, passamos pela Pousada Dona Palmira. Depois disso, seguimos alguns quilômetros e chegamos ao trajeto de calçamento.

Fato histórico: essa estrada de calçamento foi construída ainda no tempo da Coroa Portuguesa, construída pelos escravos. Passando por lá, foi possível fazer uma viagem no tempo. 

Montamos o acampamento ao ar livre próximo às Ruínas da Casa Queimada, próximas à Cachoeira do Veado, onde passamos o restante do dia aproveitando a cachoeira.

Diário do dia

Travessia: 2/3

Domingo: 23/02

Percurso: aproximadamente 12 km

  • Passagem pela estrada de calçamento;
  • Chegada na Cachoeira do Veado;
  • Camping selvagem.

3 Dia: Calçamento de Pedra e Cachoeira do Esguicho

Turismo de Natureza Travessia Trilha do Ouro

No último dia da travessia, foi o momento de seguir até o ponto de resgate. Durante o trajeto, passamos por um longo trecho de calçamento de Pedra que requer bastante atenção devido ao seu piso escorregadio, uma bota antiderrapante neste trecho faz toda a diferença. Depois passamos por mais uma cachoeira, travessia de uma ponte e alguns quilômetros à frente chegamos nos limites dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Depois disso, foi só seguir o trecho final no Rio e chegar até ao ponto de resgate para extração. A conclusão da trilha foi às 15h com chegada em São Paulo, no Metrô Tietê, aproximadamente às 22h.

Diário do dia

Travessia: 3/3

Segunda-feira: 24/02

Percurso: aproximadamente 13 km

  • Caminhada até o fim da travessia;
  • Passagem pela cachoeira;
  • Fim da trilha por terras fluminenses;
  • Resgate para São Paulo;
  • Fim da aventura e muita história para contar.

Como chegar a São José do Barreiro e na Trilha do Ouro?

Entrada no Parque Nacional da Serra da Bocaina em São José do Barreiro.

A Trilha do Ouro está localizada entre as cidades de São José do Barreiro, em São Paulo, e Mambucaba, no Rio de Janeiro. Entre a divisão dos estados está localizado o Parque Nacional da Serra da Bocaina, onde está a Trilha do Ouro.

O principal acesso para São José do Barreiro é através da Rodovia dos Tropeiros, na SP 068. A título de localização, a cidade está a cerca de 210 km do Rio e a cerca de 270 km de São Paulo.

Para quem for conhecer a Serra da Bocaina por agências de turismo, normalmente o encontro é em uma estação de metrô em São Paulo por volta das 23:00 e com previsão de chegar em São José do Barreiro por volta de 06:00 e 07:00 da manhã.

Quem está vindo do Rio de Janeiro, poderá seguir pela Presidente Dutra até chegar em Barra Mansa, através da RJ 157 sentido Bananal. Depois disso, é só seguir até São José do Barreiro.

Quem vêm de São Paulo precisa seguir pela Rodovia Presidente Dutra e entrar em Queluz. Depois de passar por Areias, o destino é a praça principal da cidade de São José do Barreiro.

Dali até o Parque Nacional da Serra da Bocaina, o caminho pode ser feito a pé ou de carro. Além disso, saindo da rodoviária da cidade, são cerca de 27 km até o parque.

O que inclui o passeio oferecido por uma agência de turismo?

De modo geral, as agências de turismo oferecem pacotes para esse tipo de atividade. Normalmente, elas disponibilizam:

  • Transporte de São Paulo até o parque;
  • Guia Cadastur Eco Trilheiros;
  • Monitores;
  • Resgate e transporte no final da trilha;
  • Camping estruturado no primeiro dia*;
  • Spot Gen 3, com monitoramento em tempo real da travessia via satélite.

*O camping estruturado conta com banheiros, mesas e água potável, Mas como dito anteriormente, isso é disponibilizado apenas no primeiro dia. No segundo e terceiro dia o camping é selvagem (sem nenhum tipo de estrutura). Além disso, no 1º dia, são oferecidos banhos quentes, mas o pagamento é feito à parte, custando cerca de R$15,00.

Quando fazer a Trilha do Ouro?

Tempo nublado e com algumas leves chuvas.

Uma das dúvidas mais comuns sobre a Trilha do Ouro, é quando é a melhor época para fazer a travessia e acampar. O mais recomendado, para aproveitar melhor o clima da região e garantir uma aventura mais segura, é durante os meses mais secos.

Considerando a região, o período mais recomendado para sua aventura, deve ser entre os meses de maio a agosto. Nos meses de inverno ocorrem poucas chuvas, bem diferente dos meses mais quentes, onde costuma chover bastante, dificultando a locomoção e estadia.

Por se tratar de uma região de mata atlântica fechada costuma ficar úmido até mesmo sem chuva. Precisando de alguns cuidados extras.

Como dito, os meses secos garantem certa vantagem, porém, se o objetivo for mergulhar nas águas, os meses frios podem dificultar um pouco esse processo.

Para definir a melhor época, é preciso analisar qual roteiro gostaria de seguir. Um deslocamento mais tranquilo e frio? Um clima mais ameno, mas com chances altas de chuva?

O final do verão e início do outono é um dos períodos mais recomendados. Assim, é possível aproveitar as baixas chances de chuva e ainda encontrar águas não tão geladas.

Importante: caso resolva viajar em meses com chances mais elevadas de chuva, lembre sempre de levar capa de chuva. Mesmo que o céu esteja limpo, o tempo pode facilmente mudar.

O que levar na Trilha do Ouro?

Camping da Barreirinha

Para acampar durante a travessia Trilha do Ouro, alguns equipamentos e acessórios são necessários. Por isso, criamos uma lista de tudo que é indispensável para sua aventura de 3 dias. Confira!

Equipamentos/acessórios

  • Barracas;
  • Mochila cargueira, com capacidade de 50 litros ou acima;
  • Isolante Térmico, muito importante em dia frios;
  • Saco de Dormir;
  • Kit primeiros socorros;
  • Bloqueador solar;
  • Repelente;
  • Lanternas;
  • Bastão de caminhada, esse item é opcional, mas recomendamos bastante levar junto.

Além disso, para se alimentar é necessário levar alguns itens básicos de cozinha. Confira!

  • Fogareiro;
  • Palitos de fósforo;
  • Velas (opcional);
  • Cartucho de gás;
  • Conjunto de panelas;
  • Talheres;
  • Guardanapos;
  • Papel higiênico;
  • Pratos;
  • Copos;
  • Além disso, caso leve materiais descartáveis (ou não), é muito importante levar sacos de lixo para recolher qualquer material poluente descartado.

Alimentação

Considerando que a travessia da trilha do ouro dura 3 dias e duas noites, é preciso levar alimentos para 3 cafés da manhã, 3 almoços, 3 lanches (no mínimo) e 2 jantares. Assim, você vai garantir energia e disposição para a aventura.

Você não pode esquecer de levar muita água. É importante levar garrafas e cantis para se hidratar durante a trilha.

Calçados e Vestimentas

As vestimentas e calçados também precisam ser confortáveis e cuidadosamente pensadas. Recomendamos os seguintes itens:

  • Bota de trilha;
  • Calça comprida, que seja confortável, flexível e resistente. Bermudas devem ser evitadas, suas canelas agradecem;
  • Camisetas leves de manga longa, de um material de fácil secagem;
  • Pares extras de meias e roupas íntimas;
  • Boné;
  • Óculos de sol;
  • Blusas, luvas, toucas e jaquetas corta-ventos, para os dias frios;
  • Toalhas de rosto e de banho;
  • Capa de chuva, para dias chuvosos.

Importante: leve diversas mudas de roupas para trocar durante o percurso, principalmente, após mergulhos. Se manter quente e fresco é fundamental!

Considerações finais

Conforme mostramos ao longo do texto, a Trilha do Ouro é uma grande aventura, que vai trazer muita emoção para os aventureiros. Então, se você é fã de desafios, certamente, esse trajeto é para você.

Seguindo nossas dicas, a aventura será ainda melhor. Então, antes de dar início a Travessia Trilha do Ouro, verifique se lembrou de levar tudo. Com tudo no lugar, só resta a diversão e a experiência única, que é esse lugar incrível.

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4 respostas

  1. Muito bom as dicas e informações. Gostaríamos de fazer somos aventureiros de 70 anos de idade mas com Saúde no controle remoto.

    1. Olá Antorio! Agradecemos o contato e feedback.

      Está travessia não é indicada para pessoas sedentárias ou que não acostumadas a fazer trilhas, ainda mais por ser uma região de serra.

      Caso estejam aptos a fazer a travessia, a única ressalva é não ir no verão devido as chuvas, embora possa fazer nesse período, no último dia de travessia boa parte da trilha é feito em uma estrada de pedra feitas por escravos no século XVII, devido a ação das chuvas essa estrada fica bastante úmida e escorregadia, o que deverá ser feita a passos lentos e mesmo assim não é difícil de alguém escorregando.

  2. Dicas e informações excelentes.
    gostaria de 2 informações:
    1 – qual foi o guia ou cia de turismo que fez essa trilha reportada
    2 – se possível o e-mail do Antônio Carlos Alves da Silveira, também tenho 70 anos e gosto de aventuras.

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